Meu recanto

"A IMAGINAÇÃO É MAIS IMPORTANTE QUE O CONHECIMENTO" (ALBERT  EINSTEIN)

Meu Diário
13/04/2012 14h57
O LIMITE

     02 de julho, de 2010 2:41:52. Faz-se à hora o tormento, inevitável. Impossível não diagnosticar as amarguras que tantas são e deveras não poder mais contê-las na garganta, tão pouco no coração, por que o grito ainda não pode eclodir e sendo assim a normalidade de um ser é a resignação total da vida; fingir que o tempo não passa que o coração bate feliz atolado no lamaçal da angústia do tempo, das horas que se vão, do claustro permanente, da dor que ninguém vê, das alegrias não vividas, da duvida e a certeza de saber de que nada o momento me propiciará qualquer coisa para reverter essa angustia incontrolada, do espírito, que jamais qualquer mortal o tentaria ou ousaria sentir e ou, nem mesmo sob a pena de purgação horrenda, imposta pelo comando da consciência para apagar manchas eternas que o destino se encarregou a não dissolvê-las, subterfúgio do carma, de um erro profilático de inicio de vida. É o refúgio de Kafka, sua solidão impregnada em mim, sua angústia, imposta, incontrolável e discreta no seu quarto escuro de um ser metamorfoseado, cuja alma sã, inicia o seu processo de deterioração a ver seu estado deplorável, permanente só e impotente. O gosto do fel é a minha metamorfose permanente. A impotência gera minha inércia e o meu espírito tranca os mais belos sonhos e realizações de vida, do mortal, que um traçara planos em sua lucidez plena na certeza de que a vida seria o todo viver no todo e do todo ressurgir das cinzas de uma infância pobre, que lembra os quinze membros da família, dialeticamente italiana da Sicília, onde a Santa Ceia era o único quadro que havia na parede tosca, fazendo sua vigília, sobre a pesada rústica mesa de madeira, do meu avô, farta de alimento simples, e com igualmente rústicos dois bancos longos de pés largos, para um conforto e descanso privilegiados da hora sagrada de uma família que suportava o peso da vida com honra, pelo simples fato de existir sem saber ou conhecer a palavra, livre arbitro, porque a sabedoria da vida fez-nos mansos, resignados dentro de uma possível e apaziguada situação, pelo simples fato de que o outro é igual ao primeiro o segundo e o  último é igual a todos na simplicidade da vida, do contexto, inseridos. Fragmentos facetados são as mazelas de uma vida de sonho que de sonho não passara. O entendimento é um falso entendimento, e só, para com um expansivo entendimento geral que acopla todo o ser embebido de sofrimento indecifrável e discreto, mas que se metamorfoseia deliberadamente sem aparências ou arestas, literalmente uma castração do todo, do ser, de uma cabeça pensante e frágil que tudo e nada vê num mundo real e inócuo, em que as folhas secas rolam pelo chão da estação, fria e mortas, apenas rolam o gemido de sua inércia no quadro da solidão.



Publicado por Edidanesi em 13/04/2012 às 14h57
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13/04/2012 14h24
O DIA DE SOL

 

09h29ms. 30de janeiro, de 2012.O ponteiro, vermelho, dos segundos, continua marcando o tempo. O pêndulo sem vontades e sem náuseas vai e vem. Tudo transcorre num segundo, num minuto, numa hora, e ou, em um dia. E lá se vai o tempo e a vida. Ele olha para mim. Parece querer me hipnotizar e por vezes sinto sono e não posso dormir. Tenho sim que cantar e chorar, rir e viver porque o relógio e o sol são os marcadores do meu tempo. No meu teatro não necessito ensaiar e sim dançar. Danço a vida, driblo atropelos, sonho por sonhar e às vezes sonho: vigio o mundo por uma fresta, nado km e retorno sem me molhar converso longamente eu e o cosmos, aprecio as gaivotas da baia sem a sua presença, canto a canção do exílio no meu convexo, ecoando no meu côncavo. Há cinco mil anos a nossa estrela maior já fora o marcador do tempo, graças aos gregos. Hoje o sol brilha. Segue a sua trajetória. Pela manhã, muita luz, brilho e muitas cores misturadas ao barulho dos motores dos barcos de pesca e lanchas que cruzam a Baia de Guanabara que atracam no píer próximo ao Forte de São João. À tarde o sol preferiu se esconder e liberar uma enxurrada de lágrimas sobre a terra.  A chuva cai sem pretensão e um Martim-pescador pousado em uma das antenas do prédio vizinho, ensopado e quieto aguarda a sua companheira para se recolher depois de uma longa jornada mergulhando em busca do seu alimento.   Sem a luz do sol a minha luz se torna fria, violeta. Esmaece. Nesse momento, ouço o tic-tac do relógio sincronizado pelo vai e vem do pêndulo, que marca  devaneios, desilusões e as concretizações da esfera terrestre e o Sol segue para Si-Chuan onde o cão ladra à sua espera.


Publicado por Edidanesi em 13/04/2012 às 14h24
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